As empresas listadas na bolsa de valores têm à disposição inúmeras estratégias que podem ser utilizadas para tornar seus papéis mais atrativos ou menos voláteis. Uma das táticas comumente adotadas é o grupamento de ações, que pode gerar dúvidas entre os investidores.
Também conhecido como inplit, o grupamento impacta tanto os papéis de uma companhia quanto os seus próprios investidores. Por essa razão é preciso entender melhor como esse processo funciona.
Você quer descobrir o conceito de grupamento de ações e reconhecer oportunidades e riscos envolvidos. Continue a leitura e descubra o que é o inplit!
O que é grupamento de ações?
O grupamento de ações é um processo pelo qual uma empresa reduz o número total de ações em circulação no mercado financeiro. Ao fazê-lo, a companhia aumenta proporcionalmente o preço de cada um dos seus papéis.
Para entender melhor, pense que, quando você possui 10 notas de R$ 10, pode substituí-las por uma cédula de R$ 100 e continuará tendo o mesmo montante, certo? É isso o que acontece com o grupamento. Ele não muda quanto o acionista possui, impactando apenas o preço unitário da ação.
Ou seja, o inplit é uma estratégia que não altera o valor de mercado da empresa. Se, antes do grupamento, a empresa tinha 100 milhões de ações negociadas a R$ 1, após um grupamento de 10 para 1, ela passará a ter 10 milhões de papéis negociados a R$ 10 cada.
Apenas a título de informação, vale esclarecer que o grupamento é a estratégia contrária ao desdobramento ou split. Ao desdobrar os papéis, as empresas reduzem o preço de cada uma de suas ações. Porém, a soma delas ainda terá o mesmo resultado.
Por que as empresas aderem ao grupamento de ações?
Existem diferentes situações que podem levar uma empresa a aderir ao grupamento de seus papéis. Em certos cenários, isso se deve às regras do mercado. Em outros, o inplit é realizado como estratégia para atrair investidores.
Conheça os principais motivos para a adoção do grupamento de ações!
Aumentar a atração para investidores
Uma ação com um preço muito baixo pode ser vista como uma oportunidade para investidores, que podem obtê-la sem gastar muito. Contudo, isso nem sempre é verdade. Afinal, é preciso considerar quanto, de fato, a empresa vale.
Se o valor intrínseco da empresa estiver abaixo da cotação, a compra pode não ser interessante. Ademais, papéis de cotação mais baixa tendem a ser mais voláteis.
A razão é que qualquer mudança no preço da ação representa uma grande porcentagem de sua cotação. Por exemplo, se um papel é negociado a R$ 2, uma desvalorização em R$ 0,20 corresponde à mudança de 10% em seu preço.
Essa volatilidade é vista como um sinal de risco para os investidores. Portanto, adquirir essas ações pode levar a perdas significativas para os acionistas.
Evitar que a ação se mantenha como penny stock
Nos mercados financeiros, as ações negociadas a preços muito baixos, como centavos, e que têm baixa capitalização, são conhecidas como penny stocks. Como você viu, elas são associadas à maior volatilidade — consequentemente, a um risco mais elevado.
Além disso, existem regras específicas sobre esses papéis. Na B3, a bolsa de valores brasileira, são considerados penny stocks os papéis negociados abaixo de R$ 1. Assim, quando as ações de uma empresa se mantêm nesse patamar por 30 pregões seguidos, a companhia é notificada pela B3.
A partir dessa notificação, cabe à empresa listada na bolsa tomar uma atitude para evitar prejuízos aos acionistas. Uma das soluções para essa situação é justamente o grupamento de ações, que reúne inúmeros papéis em um só para aumentar a cotação.
Reestruturar a empresa
O inplit também é utilizado por empresas que passam por dificuldades financeiras ou por reestruturações. Nesse caso, o grupamento de ações faz parte de um plano que reorganiza as operações empresariais para melhorar sua percepção do mercado.
Como funciona o grupamento de ações?
A decisão sobre agrupar ações parte da administração da empresa que está listada na bolsa de valores. Ela pode ser orientada pelos motivos que você conferiu, ou por outras questões internas da corporação.
Cabe à administração apresentar um documento detalhando a intenção de grupamento de papéis à assembleia de acionistas, que deve deliberar sobre o tema e votar. Aprovada a proposta, a empresa informa ao mercado a proporção do grupamento.
Embora seja comum o uso de múltiplos de 10, 100 ou 1000 na conversão, não há uma regra. É de responsabilidade da empresa determinar as proporções e estabelecer uma data-limite para que o inplit aconteça.
Quais são os exemplos recentes de inplit?
Empresas brasileiras bastante conhecidas no mercado optaram pelo grupamento de ações em 2023 e 2024. Uma delas foi a Casas Bahia (BHIA3), que agrupou papéis em 2023, ajustando-os em uma proporção de 10:1. A medida foi tomada em um momento em que o preço das ações havia caído consideravelmente.
Outro caso de destaque foi o da Magazine Luiza (MGLU3), que em 2024 agrupou ações em resposta à desvalorização dos papéis, após um período de intensa volatilidade. O mesmo aconteceu com a empresa Americanas (AMER3), que adotou a solução após enfrentar crises financeiras.
Quais são os cuidados ao investir em empresas que agruparam ações?
Você viu que o grupamento de ações busca reequilibrar o preço dos papéis de uma empresa e reduzir os riscos dos investidores. Apesar disso, são necessários cuidados antes de se tornar um acionista. O inplit pode tanto representar oportunidades quanto sinalizar fragilidade financeira do negócio.
Para começar, pergunte-se se o grupamento foi realizado para melhorar a percepção da empresa no mercado ou como parte de um plano mais amplo de reestruturação, por exemplo. As companhias que adotam a estratégia em razão de dificuldades financeiras podem exigir maior cautela.
Antes de investir, analise os demonstrativos financeiros, as perspectivas de crescimento e o setor em que a empresa atua. Para facilitar essa jornada, considere consultar um assessor de investimentos. Os profissionais da área podem ajudar você a interpretar os impactos do grupamento e a identificar oportunidades ou riscos.
Além disso, lembre-se de evitar concentrar seus investimentos em um só tipo de ativo ou de empresa. Diversificar o portfólio é uma estratégia para proteger seu patrimônio contra a volatilidade do mercado e ampliar o potencial de resultados.
Neste texto, você aprendeu que o grupamento de ações é uma estratégia que não altera o valor de mercado da empresa e pode sinalizar desafios ou oportunidades. Assim, antes de investir em negócios que passaram pela mudança, informe-se sobre os motivos e a situação financeira deles.
Este conteúdo foi útil para você? Então assine a newsletter e receba informações sobre o mercado financeiro e oportunidades para investidores!