Índice de Basileia: o que é, para que serve e como consultar?

Basileia é uma cidade na Suíça que também é o ponto de origem de um importante indicador financeiro: o Índice de Basileia. Para quem investe, conhecê-lo é essencial para tomar boas decisões.

O índice está relacionado à resiliência e à capacidade de as instituições financeiras resistirem a problemas e alterações no mercado. Ou seja, ele indica se um banco está tão endividado a ponto de correr o risco de declarar falência.

Para conhecer melhor o indicador, veja qual é a sua função no mercado e aprenda a consultá-lo e avaliá-lo!

O que é Índice de Basileia?

O Índice de Basileia foi criado em 1988 e é composto pela relação entre os ativos próprios e de terceiros das instituições bancárias. Ele foi desenvolvido por um grupo de especialistas no sistema financeiro e bancário, com o objetivo de proteger melhor o sistema e seu funcionamento.

Na prática, o indicador dá indícios da saúde financeira dos bancos, considerando patrimônio e risco. No Brasil, o Banco Central (Bacen) determina patamares desejáveis para o Índice de Basileia e seus componentes, de modo que todos os bancos brasileiros devem atender aos requisitos.

Atualmente, a recomendação do Bacen é que os bancos tenham um resultado em torno de 11%. A maioria dos grandes bancos brasileiros está acima do nível, o que indica um bom desempenho quanto à saúde financeira.

Como ele funciona?

O Índice de Basileia é baseado em uma relação que visa a conhecer o nível de endividamento e os riscos assumidos por uma instituição — em geral, os bancos que atuam no sistema financeiro.

Ele é útil para indicar se o nível de endividamento é sustentável ou não. Ou seja, a ideia não é conhecer o volume absoluto de dívidas. Até porque as instituições financeiras costumam operar alavancadas.

Ao definir a relação quanto aos ativos da instituição, ele demonstra qual é o risco financeiro que ela apresenta. Logo, funciona como um rating de banco, indicando se a instituição tem uma configuração saudável ou se há chances consideráveis de ela não conseguir cumprir as obrigações.

Como é feito o cálculo do Índice de Basileia no Brasil?

Encontrar o valor desse índice depende de um cálculo que considera a relação entre o patrimônio de referência e os ativos ponderados pelo risco. Então, tudo começa com o entendimento de como é calculado o patrimônio de referência.

Ele é dado pela soma de capital principal, capital complementar e da soma do nível II. Portanto, consiste na soma entre nível I e nível II do demonstrativo. Todos esses elementos são apresentados na composição de Patrimônio de Referência, que é divulgado por cada instituição.

Em seguida, é preciso calcular os ativos ponderados de risco. Para tanto, é necessário somar os valores referentes aos riscos de crédito, de mercado e operacional.

Assim como no patrimônio de referência, essa é uma informação obtida com base nos resultados trimestrais divulgados nas demonstrações contábeis.

O Índice de Basileia será dado pela relação entre tais componentes, na forma de porcentagem. No entanto, não é preciso se preocupar com o cálculo. O próprio Banco Central calcula esses valores e o apresenta de maneira ampla.

Convém saber que a metodologia adotada no momento é uma espécie de terceira versão. Ela foi desenvolvida em 2010, após a crise mundial de 2008 que levou muitos bancos à falência. A intenção é utilizar essa experiência do mercado para tornar as instituições mais resilientes agora e no futuro.

Qual a importância desse índice para o investidor?

Antes de investir é crucial entender o cenário e quais são os riscos associados a ele, certo? Na renda variável, isso costuma ocorrer por meio da análise fundamentalista ou técnica – a depender dos seus objetivos. Por meio delas, é possível compreender a situação e buscar boas perspectivas de mercado.

No caso da renda fixa, também é importante ter atenção. Porém, a ideia é avaliar o emissor dos títulos. Então, conhecer e usar o Índice de Basileia é interessante para saber qual é a instituição mais segura para alocar seus recursos.

Pense, por exemplo, em um certificado de depósito bancário (CDB) emitido por um banco. Ao usar o Índice de Basileia, há como saber se a instituição é resiliente o bastante. Caso o valor seja baixo, o risco de crédito é maior. Já um número elevado pode ser útil para investir com segurança.

Portanto, usar e avaliar esse indicador permite que o investidor saiba se o banco é capaz de suportar uma crise financeira ou uma alteração no mercado, por exemplo. Assim, há como fazer um gerenciamento de riscos eficiente.

Como consultar o Índice de Basileia antes de investir dinheiro?

Sabendo que esse índice deve impactar a tomada de decisão, é importante entender como consultá-lo. Como ele é calculado pelo Bacen, basta buscar as informações referentes à cada instituição no período de análise.

Quando o índice está muito baixo, significa que a empresa tem assumido riscos de forma elevada. Se houver dificuldades no mercado, como uma crise econômica, o banco pode sofrer impactos diretos e mesmo ter problemas para se manter.

Por outro lado, um índice excessivamente alto indica um grande volume de recursos em caixa, o que pode representar oportunidades perdidas e desafios na atuação de mercado. Portanto, o indicador financeiro deve apresentar um valor intermediário, dentro do limite definido pelo Bacen.

Além disso, vale entender que a análise deve ser feita de modo comparativo. Então, o resultado obtido com o indicador tem que ser comparado com o benchmark, que serve de referência. Assim, é possível saber se a instituição está na faixa que é considerada sustentável.

Caso o banco tenha um valor abaixo do desejável, o investimento exige atenção redobrada. Se você estiver avaliando o emissor de um título sem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), corre mais riscos quanto ao recebimento do retorno.

Agora você sabe que o Índice de Basileia está ligado ao endividamento de empresas, com foco nas instituições bancárias. Por meio dele, há como conhecer o nível de saúde do negócio, o que permite que os investidores tenham maior segurança ao escolher os emissores de diversos títulos.

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André Barbirato

Formado em marketing, encontrou no mercado financeiro sua verdadeira vocação. Possui certificação ANCORD e mais de 8 anos de experiência no mercado de capitais. Atualmente é sócio de um escritório de investimento e head de mesa de renda variável. É também o criador do blog Eu Posso Investir!?.

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