O que é custo de oportunidade e como calcular na hora de investir?

Toda escolha prevê uma renúncia. Não sendo possível seguir por todos os caminhos ao mesmo tempo, é essencial saber do que você está disposto a abrir mão e o que é prioritário. É exatamente nesse cenário em que surge o conceito de custo de oportunidade.

Ele está relacionado ao potencial de resultados que não há como aproveitar por não escolher uma alternativa. No mercado financeiro, está diretamente ligado à seleção de investimentos, o que torna fundamental saber como calculá-lo e fazer sua avaliação.

Pensando nisso, veja tudo sobre o custo de oportunidade e saiba como incorporar o termo em suas decisões!

O que é o custo de oportunidade?

O conceito de custo de oportunidade está relacionado ao processo de tomada de decisão e à escassez. Ele existe porque, na prática, os recursos são limitados e forçam a escolha de um caminho em detrimento do outro.

Na hora de investir, por exemplo, não é possível alocar recursos em todos os produtos do mercado. Você certamente tem um valor máximo disponível para aporte, então é preciso ser capaz de selecionar os melhores investimentos.

Porém, cada decisão envolve, no mínimo, uma renúncia. Seguir por um caminho significa deixar os outros para trás, bem como as prováveis vantagens associadas a outras escolhas.

O custo de oportunidade, portanto, pode ser definido como os resultados que você deixa de obter quando decide seguir um caminho. Essa não é uma perda real e não diz respeito a prejuízos consolidados. Na verdade, está relacionada ao não aproveitamento de um potencial.

Como funciona?

O custo de oportunidade é especialmente presente na economia, já que recursos financeiros são limitados e devem ser bem aproveitados. É o que ocorre diante dos investimentos.

Se você optar por um investimento seguro, por exemplo, o custo de oportunidade inclui a rentabilidade que poderia ser obtida com uma alternativa mais arriscada. Já na situação oposta, o contrário envolve os ganhos de optar por uma opção mais protegida.

Então, nem sempre o custo de oportunidade é maior do que o valor que você pode obter com uma decisão. Porém, ele sempre contempla ganhos que não serão aproveitados porque não escolheu determinada alternativa.

Como calcular o custo de oportunidade?

Na hora de dimensionar o custo de oportunidade, é importante saber que ele não é um elemento meramente quantitativo. Também é qualitativo quando consideramos fatores como segurança ou liquidez, por exemplo.

Logo, tem componentes subjetivos que não podem ser ignorados. Ao mesmo tempo, é possível ter uma ideia do que ele significa com a ajuda de alguns cálculos. Não existe uma fórmula universal, mas o mais comum é utilizar indicadores de referência.

Pense na situação de dúvida entre comprar um imóvel à vista ou financiá-lo para investir o montante. Nesse caso, é possível calcular o custo de oportunidade ao considerar os juros envolvidos no financiamento e nos investimentos.

Em relação aos investimentos de renda fixa, é comum utilizar taxas como a Selic, o Certificado de Depósitos Interbancários (CDI) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na renda variável, é interessante fazer projeções de retorno ou mesmo comparar com um benchmark de mercado. Em relação aos riscos, também é possível comparar à rentabilidade de um investimento seguro para saber o custo de oportunidade.

No geral, a ideia é trazer os ganhos em potencial a valor presente, de acordo com as taxas e com os índices. Assim, há como saber o que você pode receber (ou perder) com cada um. Além disso, é importante pensar no que não poderá fazer ou o que deixará de ganhar ao realizar uma escolha.

Usar todo seu dinheiro para comprar um imóvel, por exemplo, faz com que você abra mão de investir em múltiplas alternativas. Por outro lado, realizar os investimentos faz com que sua família não tenha casa própria ainda. Tudo terá um custo — e você deve avaliar o melhor para o seu caso.

Quais são exemplos de custo de oportunidade?

Para entender melhor o custo de oportunidade nos investimentos, contar com a ajuda de exemplos é interessante. Então, considere uma situação em que você se vê diante de uma aplicação de renda fixa e de um investimento de renda variável.

No primeiro caso, as vantagens incluem a maior segurança e a previsibilidade de resultados na sua carteira de investimentos. No segundo, o potencial de rentabilidade maior é relevante. Portanto, escolher a renda fixa significa assumir o custo de oportunidade da renda variável — e vice-versa.

A situação também pode ser analisada diante de investimentos de mesma classe. Pense em dois fundos de investimento, um com gestão ativa (que tenta superar o mercado) e outro com gestão passiva (que tenta replicar o desempenho de um índice).

O fundo ativo pode ter maior potencial de ganhos, mas o custo de oportunidade em relação ao fundo passivo são as taxas maiores e os riscos elevados. Na escolha contrária, o custo de oportunidade envolve a performance maior que poderia ser obtida com uma gestão ativa.

Em ambos os exemplos é possível notar que os resultados que você não tem a chance de aproveitar (por não ter feito a escolha) compõem o custo de oportunidade.

Como avaliar o custo de oportunidade ao escolher investimentos?

Considerar o custo de oportunidade ajuda a tomar decisões melhores para os investimentos, então você deve saber como avaliá-lo. Uma das formas de fazer isso é calcular seus valores para entender ganhos e perdas de cada possibilidade.

Se um investimento tiver custo de oportunidade maior que sua escolha atual pode ser mais o caso de pensar na troca. Porém, também é importante ponderar seus objetivos financeiros e seu perfil de investidor, já que a rentabilidade não é o único ponto relevante.

Caso você queira investir sua reserva de emergência com liquidez e segurança, por exemplo, faz sentido abrir mão da oportunidade da renda variável. Afinal, a renda fixa atenderá melhor às suas expectativas e necessidades.

Por outro lado, se o seu perfil de investidor envolver maior tolerância ao risco e se você estiver pensando no longo prazo, pode fazer sentido enfrentar o custo de oportunidade de não escolher investimentos seguros da renda fixa.

Para completar, vale a pena equilibrar tal custo na carteira. Então, a diversificação de investimentos passa a ser a principal ferramenta para alcançar esse resultado.

Como você viu, o custo de oportunidade é dado pela soma de tudo o que você deixa de ganhar quando faz uma escolha. Ao saber como calcular e avaliar isso, você poderá selecionar seus investimentos com muito mais consciência!

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André Barbirato

Formado em marketing, encontrou no mercado financeiro sua verdadeira vocação. Possui certificação ANCORD e mais de 8 anos de experiência no mercado de capitais. Atualmente é sócio de um escritório de investimentos e head de mesa de renda variável. É também o criador do blog Eu Posso Investir!?.

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