Curva de juros futura: saiba o que é e como interpretá-la

A curva futura de juros é um dos elementos mais importantes do mercado financeiro. No entanto, ela tem relevância diferente, dependendo do tipo de investimento. Na renda fixa, ela tem destaque por estar relacionada às expectativas de remuneração para diferentes aplicações.

Por conta disso, entender o comportamento da curva de juros futuros é crucial para tomar decisões mais inteligentes ao definir sua estratégia para investir melhor. Por meio da representação dela, é possível avaliar o que o comportamento que mercado espera, considerando fatores macroeconômicos e perspectivas gerais.

Ao continuar a leitura, você entenderá mais sobre a formação da curva de juros futura e como interpretar a sua representação. Aproveite!

O que é a curva de juros futuros?

A curva futura de juros é um retrato da expectativa sobre a evolução da taxa de juros, ou seja, que caminho ela deve seguir em determinado período. Essa representação gráfica também é chamada de yield curve ou de curva a termo.

Ao analisar a curva de juros futuros, você estará diante de uma projeção ou perspectiva para a taxa de juros nos próximos anos. Por isso, ela é usada para entender quanto pode render um investimento de renda fixa, funcionando como um termômetro do mercado.

Como essa curva é construída?

A construção dessa curva é baseada na taxa de juros da economia em determinado período e em suas perspectivas de movimentação. No Brasil, ela utiliza as expectativas sobre o comportamento da Selic, que é a taxa básica de juros do país.

A Selic pode ser alterada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Porém, seu comportamento futuro pode ser estimado tanto pela taxa atual quanto pelo que se espera do cenário econômico do país.

Para encontrar essa representação, não é preciso fazer o cálculo sozinho, pois o site da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) divulga a curva de juros por período. No eixo vertical do gráfico, você observará o aumento ou a queda dos juros, e no eixo horizontal, a evolução do tempo.

Quais fatores fazem com que essa curva se movimente?

Até aqui, você viu que múltiplas variáveis afetam a curva de juros futuros. Porém, você sabe quais são elas? Para responder a essa dúvida, confira os fatores a seguir!

Taxa de juros

A curva se abre quando a precificação dos juros nos contratos futuros se eleva, com impactos diretos no mercado financeiro. Nesse caso, os novos investimentos tendem a apresentar remunerações mais atraentes, enquanto os títulos adquiridos antes desse período ficarão desvalorizados.

Já a queda dos juros futuros causa o efeito inverso: a curva se fecha e há valorização dos títulos já emitidos. Para entender melhor, considere um título público prefixado a 10% ao ano quando a Selic é de 11% ao ano.

Caso a Selic aumente para 12% ao ano, nesse cenário, os títulos que rendem fixamente 10% tendem a se desvalorizar, já que eles terão um retorno menor que as novas aplicações emitidas. Já se a Selic cair para 9%, os títulos prefixados a 10% ao ano tendem a se valorizar.

Inflação

A taxa Selic é a principal ferramenta de política monetária do país e, entre outras funções, ajuda a controlar a alta de preços no país. Como ela interfere na curva de juros, essa representação também depende das previsões de alta ou baixa da inflação.

Se houver pressão inflacionária, a curva ascende porque a taxa de juros costuma ser elevada para conter esse cenário. O contrário também ocorre: quando a economia está desaquecida e a inflação reduzida, a tendência é de que a taxa de juros diminua, indicando uma queda no curto prazo na representação da curva.

Crescimento econômico

Quanto aos efeitos do crescimento econômico na curva de juros, mais uma vez, há uma relação direta com a inflação. Isso porque a economia aquecida favorece a pressão inflacionária, o que costuma levar à elevação da taxa de juros.

Já uma economia em recessão costuma ser estimulada pela queda da taxa de juros, o que se reflete na representação da curva. Além dos resultados econômicos consolidados, as perspectivas de performance podem provocar esses movimentos.

Como interpretar a curva de juros futura e suas oscilações?

Você viu que a curva se abre quando os juros aumentam, e a inclinação dela é negativa se houver tendência de baixa dos juros. Essa interpretação é crucial para quem investe tanto em renda variável quanto em renda fixa.

Vale lembrar, no entanto, que essa é apenas uma projeção — então nem sempre se concretizará. Além disso, é interessante conhecer os tipos de curva que podem se consolidar no mercado.

Veja quais são eles!

Curva normal

A curva normal também é conhecida como curva de Gauss. Ao se deparar com essa representação no gráfico, você verá uma linha em leve ascendência. Uma possível interpretação é que pode haver progressão gradual das taxas de juros, já que a economia apresenta estabilidade.

Essa configuração também é comum porque a tendência é que o risco de crédito aumente no longo prazo, já que há menos previsibilidade sobre as condições. Como há mais chances de o emissor de um título não pagar em períodos mais longos, faz sentido que a remuneração seja mais alta.

Curva de juros íngreme

Já a abertura de uma curva de juros futura íngreme é elevada, o que costuma indicar uma expectativa grande de crescimento econômico. Como isso tende a elevar os preços e a inflação, a taxa de juros pode subir mais rapidamente para controlar o desempenho do avanço de preços.

Curva invertida

Na curva invertida, o gráfico mostra os juros de longo prazo mais baixos do que os juros de curto prazo, indicando uma possível recessão econômica. A expectativa é que a taxa Selic seja reduzida para haver o aquecimento da economia, por exemplo.

Você ainda encontrará outros tipos de curvas de juros, como a plana ou flat e as híbridas ou humped (corcunda). O importante é saber identificá-las e fazer uma leitura das expectativas do mercado para os juros no futuro, lembrando-se de que essas tendências podem ou não se consolidar.

Neste artigo, você aprendeu que conhecer o conceito de curva futura de juros é essencial para ajudar nas análises de cenário econômico e tomar decisões de investimento. Com essa representação, você conhecerá as perspectivas do mercado para os rendimentos, podendo adequá-las a suas estratégias e objetivos financeiros.

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André Barbirato

Formado em marketing, encontrou no mercado financeiro sua verdadeira vocação. Possui certificação ANCORD e mais de 10 anos de experiência no mercado de capitais. Atualmente é head de sales B2B e B2C em renda variável em um banco de investimentos. É também o criador do blog Eu Posso Investir!?

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